O Montijo deixou de ser "a alternativa barata a Lisboa". Continua a ser mais acessível do que a capital, mas os valores subiram de forma consistente e o mercado mudou de carácter: mais obra nova, mais procura de fora do concelho e prazos de venda mais curtos nos imóveis bem posicionados.
Abaixo estão os dados que uso com clientes — todos verificáveis nas fontes indicadas — e o que significam na prática para quem compra ou vende hoje.
O contexto nacional: preços em aceleração
Os números oficiais enquadram tudo o resto. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE):
- No 1.º trimestre de 2026, o preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal foi de 2 337 €/m².
- O índice de preços da habitação subiu 17,8% em termos anuais nesse mesmo trimestre.
- No conjunto de 2025, os preços aumentaram 17,6% e o número de transações 8,6%.
Ou seja: não estamos diante de um fenómeno local isolado. O Montijo está inserido num ciclo nacional de valorização forte — mas com uma diferença importante, que é o ponto de partida mais baixo e um conjunto de factores próprios da Margem Sul.
Onde está o Montijo em euros por metro quadrado
Há duas leituras que não devem ser confundidas:
- Preço de transação (o que efectivamente se escritura), medido pelo INE.
- Preço de oferta (o que é pedido nos anúncios), medido por portais e agregadores.
Nos indicadores de oferta, o Montijo já se aproxima — e em apartamentos até ultrapassa — a média nacional. Em Março de 2026, os dados de anúncios compilados pela Properstar apontavam para uma mediana de 3 427 €/m² em apartamentos e 2 686 €/m² em moradias no Montijo.
Para referência regional, o idealista reportou, em Fevereiro de 2026, um valor médio de 3 033 €/m² na cidade de Setúbal (+13,5% num ano), contra 3 076 €/m² de média nacional.
Duas conclusões honestas:
- A diferença entre o preço pedido e o preço fechado ainda existe, sobretudo em usado sem obras.
- O desconto histórico da Margem Sul em relação à Grande Lisboa encurtou — continua a existir, mas é menor do que era há cinco anos.
Porque é que os valores estão a subir no Montijo
1. Proximidade real a Lisboa
15 a 20 minutos de carro pela Ponte Vasco da Gama e travessia fluvial entre o Cais do Seixalinho e o Cais do Sodré. Para quem trabalha no Parque das Nações ou no eixo oriental da capital, o Montijo compete directamente com bairros de Lisboa a preços mais baixos.
2. O novo aeroporto em Alcochete
Em 2024, o Governo confirmou o Campo de Tiro de Alcochete como localização do novo aeroporto de Lisboa. É um projecto de longo prazo, com fases e prazos que ainda vão mudar — mas a expectativa já está a ser incorporada nos preços do concelho vizinho, sobretudo em terrenos e obra nova.
3. Oferta nova, com padrão mais alto
O que se constrói hoje no Montijo não é o que se construía em 2015: empreendimentos com áreas exteriores, garagem, eficiência energética A, piscina e acabamentos de gama alta. Este produto novo puxa a mediana para cima e cria dois mercados paralelos — obra nova premium e usado para requalificar.
4. Procura interna e internacional
Famílias que saem de Lisboa por causa do preço, brasileiros e europeus que procuram Área Metropolitana de Lisboa com melhor relação área/preço, e investidores focados em arrendamento de médio prazo.
O que isto significa se está a comprar
- Não compre "o Montijo" em abstracto. A diferença de valor entre o centro histórico, Afonsoeiro, Pau Queimado ou Sarilhos Grandes é material.
- Compare por área útil e estado real, não por preço total. Um T3 novo a 3 400 €/m² pode ser mais barato, em custo de vida útil, do que um usado a 2 600 €/m² que precisa de 60 mil euros de obra.
- Conte com os custos de aquisição (IMT, imposto de selo, notariado). Já escrevi um guia dedicado a isso aqui no blog.
- Velocidade importa. Nos imóveis bem preparados e bem avaliados, o intervalo entre anúncio e proposta encurtou.
O que isto significa se está a vender
O ciclo é favorável, mas não perdoa preços irrealistas: um imóvel acima do mercado gera visitas sem propostas e acaba a vender-se abaixo do que valia. A avaliação certa, fotografia profissional e documentação em ordem antes de anunciar continuam a ser o que separa uma venda em semanas de uma venda em meses.
Fontes
- INE — Estatísticas de Preços da Habitação e Índice de Preços da Habitação (1.º trimestre de 2026 e ano de 2025)
- idealista/news — evolução de preços na região de Setúbal (Fevereiro de 2026)
- Properstar — mediana de preços de oferta no Montijo (Março de 2026)
Os valores de mercado mudam de trimestre para trimestre. Se quiser uma leitura actualizada e aplicada ao seu caso concreto — compra, venda ou investimento no Montijo — fale comigo.

