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Montijo: história, cultura e vida na Margem Sul

Do foral de 1514 às Festas de São Pedro e à Ponte Vasco da Gama: um retrato verificado da cidade de Montijo, na Margem Sul do Tejo.

Por Felipe Neves 19 de agosto de 2026 9 min de leitura
Montijo: história, cultura e vida na Margem Sul

Resposta direta: Montijo é uma cidade do distrito de Setúbal, na Margem Sul do Tejo e na Área Metropolitana de Lisboa, com cerca de 41 mil habitantes na cidade e 55 mil no concelho (Censos 2021). Chamou-se Aldeia Galega do Ribatejo até 1930, recebeu foral de D. Manuel I em 1514 e foi elevada a cidade em 1985. Liga-se a Lisboa pela Ponte Vasco da Gama (1998) e pelo barco da Transtejo.

Dados históricos e administrativos confirmados em fontes públicas (Câmara Municipal do Montijo, INE/Censos 2021). Valores de mercado são estimativas — confirme sempre com avaliação local.

Onde fica Montijo

Montijo situa-se na margem esquerda do estuário do Tejo, a nordeste da Moita e a sudoeste de Alcochete. O concelho tem 348,62 km² e é um dos poucos casos em Portugal de território descontínuo: a parte ocidental (cerca de 56 km²), onde está a cidade, e um exclave a leste (cerca de 292 km²), com Canha e Pegões, já em ambiente rural.

São cinco as freguesias: Montijo e Afonsoeiro, Atalaia e Alto Estanqueiro-Jardia, Sarilhos Grandes, Canha e União das Freguesias de Pegões.

Uma história ligada ao rio

  • 1186 — as terras da região são doadas por D. Sancho I aos Cavaleiros da Ordem de Santiago (a Cruz de Santiago mantém-se no brasão da cidade).
  • 1514 — D. Manuel I concede foral à vila de Aldeia Gallega do Ribatejo.
  • 1533 — a vila torna-se sede da Posta nas comunicações com o Sul e ponto obrigatório da Estrada Real (hoje EN4), Lisboa–Badajoz.
  • 1640 — D. João IV, a caminho de Lisboa, reúne aqui o seu primeiro Conselho Régio.
  • 1930 — a vila passa oficialmente a chamar-se Montijo.
  • 1954 — o antigo Centro de Aviação Naval é integrado na Força Aérea como Base Aérea n.º 6.
  • 1985 — Montijo é elevada à categoria de cidade.
  • 1998 — inauguração da Ponte Vasco da Gama, que muda a escala da mobilidade local.
  • 2002 — abre o Terminal Fluvial do Seixalinho, assegurando a travessia para Lisboa.

O povoamento original foi feito por pescadores e salineiros, muitos vindos das rias galegas e do litoral norte — origem provável do antigo nome "Aldeia Galega".

Cultura, tradições e vida local

Montijo é conhecida como terra de touradas, boa comida e fado. As Festas Populares de São Pedro, a 29 de junho, marcam o calendário da cidade (São Pedro é padroeiro das gentes do mar), embora o orago da paróquia seja o Espírito Santo.

O associativismo é parte da identidade local, com instituições centenárias como a Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro (1854), os Bombeiros Voluntários (1909), a Banda Democrática 2 de Janeiro (1914) e o Ateneu Popular de Montijo (1939). Entre os equipamentos históricos contam-se o Cine-Teatro Joaquim de Almeida e a Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos.

Para visitar: a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, a Igreja da Misericórdia (classificada como imóvel de interesse público) e a frente ribeirinha, com vista aberta sobre o Tejo e Lisboa. No exclave, Canha e Pegões oferecem montado, agricultura e vinha — a Colónia Agrícola de Pegões, criada nos anos 50, ainda define a paisagem.

Mobilidade: como se chega a Lisboa

OpçãoLigaçãoNotas
CarroPonte Vasco da Gama (A12)Acesso direto a Lisboa Oriente/Parque das Nações
BarcoTerminal Fluvial do Seixalinho ↔ Cais do Sodré (Transtejo)Terminal a cerca de 2 km do centro da cidade
AutocarroCarreiras rodoviárias para Lisboa e concelhos vizinhosComplementadas por ligações locais

O antigo Ramal de Montijo (ferrovia construída entre 1907 e 1908) foi encerrado em 1989 — hoje não existe ligação ferroviária direta a partir da cidade.

O que está a mudar

O Governo anunciou em 2024 a escolha do Campo de Tiro de Alcochete para o novo aeroporto de Lisboa, imediatamente a norte do território de Montijo. É o fator estrutural que mais tem influenciado as expectativas de valorização da região, ao lado da procura por habitação mais acessível do que na margem norte.

Em termos residenciais, a cidade cresceu sobretudo em Afonsoeiro e nas urbanizações a norte e a leste do centro, com oferta de apartamentos novos T2/T3, empreendimentos com piscina e moradias. Os preços por m² mantêm-se, em geral, abaixo da média da Área Metropolitana de Lisboa.

Perguntas frequentes

Montijo é cidade ou vila? É cidade desde 1985.

Porque se chamava Aldeia Galega? Pela presença de povoadores vindos das rias galegas e do norte do país, ligados à pesca e às salinas.

Montijo pertence a Lisboa? Não. Pertence ao distrito de Setúbal, mas integra a Área Metropolitana de Lisboa.

Vale a pena viver em Montijo? Depende do perfil. É uma opção sólida para quem procura proximidade a Lisboa com custo de vida mais baixo, cidade de escala humana e acesso rápido pela Ponte Vasco da Gama.


Se está a considerar comprar ou investir em Montijo, faço curadoria e acompanhamento em toda a Margem Sul e em Lisboa, em português, inglês e espanhol. Fale comigo.

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