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D7, Golden Visa ou IFICI: qual o caminho certo para morar em Portugal

Comparativo prático entre os três regimes mais procurados por quem quer viver em Portugal — requisitos, prazos, custos e perfil ideal de cada um.

Por Felipe Neves 27 de abril de 2026 9 min de leitura
D7, Golden Visa ou IFICI: qual o caminho certo para morar em Portugal

A pergunta certa

"Qual o melhor visto para Portugal?" Não existe melhor — existe o adequado a cada perfil. Em 2026, três regimes concentram a procura: D7 (rendimentos passivos), Golden Visa (investimento) e IFICI (incentivo fiscal a profissionais qualificados). São instrumentos diferentes para objectivos diferentes.

Visto D7 — para quem tem rendimento estável

O D7 é a via clássica para reformados e quem vive de rendimentos passivos (pensões, dividendos, royalties, arrendamentos). É também usável por trabalhadores remotos com contrato estável fora de Portugal, embora o D8 (Visto para Nómadas Digitais) seja mais ajustado para esse perfil.

Requisitos principais (2026):

  • Rendimento mensal mínimo equivalente ao salário mínimo nacional (820 €/mês em 2026) para o requerente, +50% para cônjuge, +30% por dependente — na prática os consulados pedem margem confortável (1.500-2.500 €/mês para casal)
  • Comprovativo de alojamento em Portugal (contrato de arrendamento ou escritura)
  • Seguro de saúde válido em Portugal
  • Registo criminal limpo
  • NIF e conta bancária portuguesa

Prazos: 60-120 dias para o visto consular; após chegada, agendamento na AIMA para autorização de residência (com atrasos significativos em 2026).

Custo total típico: 2.000 a 5.000 € em taxas, traduções e advogado.

Golden Visa — para quem investe

Após a reforma de 2023 (Lei Mais Habitação), o GV deixou de aceitar compra de imóvel. As vias activas em 2026:

  • Fundos de capital de risco qualificados — 500.000 € (sem exposição imobiliária)
  • Criação de 10 postos de trabalho em Portugal
  • Investigação científica — 500.000 €
  • Apoio à produção artística e património — 250.000 €

Vantagem única: apenas 7 dias por ano de presença em Portugal para manter o estatuto e qualificar à cidadania após 5 anos.

Prazos realistas em 2026: pré-aprovação em 4-8 meses, cartão de residência 12-24 meses (com atrasos AIMA significativos).

Para quem: patrimónios líquidos acima de 1 M€, perfil internacional, foco em mobilidade e cidadania europeia, sem necessidade imediata de viver em Portugal.

IFICI — para profissionais qualificados (sucessor do NHR)

O Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (art. 58.º-A do EBF, Lei 82/2023, regulamentado pela Portaria 352/2024/1, alterada pela Portaria 52-A/2025/1) é o sucessor oficial do NHR — mas com filtro mais apertado.

Benefício fiscal: taxa especial de 20% de IRS sobre rendimentos elegíveis (categorias A e B) durante 10 anos consecutivos. Rendimentos estrangeiros (excepto pensões) podem ainda ser isentos em Portugal.

Quem se qualifica: profissionais qualificados em postos elegíveis listados (investigação, ensino superior, startups certificadas, empresas exportadoras com I&D, sectores industriais relevantes). A inscrição é feita junto da FCT, AICEP, IAPMEI, Startup Portugal ou Autoridade Tributária, conforme o vector.

Importante: o IFICI não é um visto — é um regime fiscal. Para viver em Portugal é necessário ter residência (D7, D8, GV, contrato de trabalho ou cidadania UE).

A tabela comparativa

CritérioD7Golden VisaIFICI
Investimento exigidoNão (rendimento)250k-500k €Não
Presença mínima em PT6+6 meses por 2 anos7 dias/anoResidência fiscal (>183 dias)
Benefício fiscalNão automáticoNão automático20% IRS por 10 anos
Caminho à cidadania5 anos5 anosVia outro visto
Para quem éReformados, rendimentos passivosInvestidores, mobilidadeProfissionais qualificados
Risco principalRecusa por rendimentoBloqueio AIMAInscrição negada

Como combino os 3 na prática

Cenários reais que vejo nos meus clientes:

  • Reformado norte-americano (65): D7 + IFICI (se rendimentos elegíveis) — vive em Portugal, beneficia de tratado fiscal EUA-PT
  • Empreendedor brasileiro (40): Golden Visa via fundo + filhos no D7 como dependentes — flexibilidade familiar
  • Quadro tech francês (35): contrato de trabalho com empresa portuguesa + IFICI — minimiza IRS sobre stock options
  • Família europeia (45): Certificado UE + IFICI — sem visto necessário, foco no benefício fiscal

A pergunta que deve fazer primeiro

Antes de escolher visto, defina: quero residir em Portugal ou apenas ter direito a residir? A resposta filtra metade das opções. Depois entram fiscalidade, estrutura familiar e horizonte temporal.

Fontes

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